Chamem-me lamechas...

... mas esta menina tem o condão de me deixar [quase] sempre à beira das lágrimas... os seus textos são ternos (e bem escritos) e transparecem sempre o amor e a doçura que lhe correm nas veias. Por isso, tocam nas minhas emoções enquanto mulher, enquanto mãe, enquanto amiga... Revejo-me tanto nesta escrita... é quase como apanhar sol por dentro!

PS - Parabéns, Martim.

Bem vindo, Verão!

Depois deste malandreco nos ter andado a trocar as voltas, parece que agora veio para ficar!!

Vai um geladinho saudável?
[sim, porque não anda uma pessoa a fazer dieta desde Maio para agora se desgraçar com os magnum's e cornetto's do demo...]



Opinião - O Ano do Nevoeiro, de Michelle Richmond


Lido em Barcelona | Agosto de 2010

Sinopse:

Uma mulher e uma criança passeiam na praia, numa fria manhã de Verão. O nevoeiro é tão denso que a visibilidade não ultrapassa alguns metros. A criança, irrequieta, solta-se por momentos da mão da mulher e não volta a ser vista. Fazem-se repetidas buscas, mas decorrem dias, semanas, meses e não se encontra rasto da menina desaparecida. Uma história pungente, escrita da perspectiva de uma mulher que, por uma desatenção de segundos, se torna responsável pelo desaparecimento da filha do homem que ama.

Numa manhã fria de Verão, em São Francisco, Abby e Emma passeiam na praia. O denso nevoeiro que se faz sentir tolda a visão e numa fracção de segundos Emma, uma menina de seis anos, larga a mão de Abby e desaparece. É este o ponto de partida de uma história pautada pela incessante busca daquela criança, filha do namorado de Abby, e no impacto que este acontecimento terá nas suas vidas.
Este livro prende-nos desde as primeiras linhas. Conta-nos, pela voz de Abby, como um acontecimento pode marcar e mudar a nossa vida (e de quem nos rodeia) para sempre, pois a partir de então nada voltará a ser como era.
Põe a descoberto, como um murro no estômago, a (sobre)vivência de famílias cujo mundo desabou com o desaparecimento de uma criança. É como que se, de repente, o tempo do relógio parasse e nada mais existisse à volta. Os compromissos são postos de lado, os problemas são relativizados e reduzidos a pó, pois a única coisa que interessa é saber o que aconteceu a Emma, onde está ela.
Nesta perseverante busca, Abby perscruta a pente fino a sua memória em busca de alguma imagem, um ínfimo detalhe que possa ajudar a desvendar o que aconteceu a Emma.
Cada linha retrata habilmente os sentimentos de culpa, a angústia da perda, da incerteza e da incessante e perseverante busca de Abby, uma vez que ela jamais se rende às evidências, mesmo quando todos os outros já desistiram, e não deixa de acreditar que pode encontrar a pequena Emma.
Um livro inquietante, que não nos deixa indiferentes a este tema.
Michelle Richmond tem uma notável capacidade de descrição, apresenta-nos personagens de uma intensa profundidade, sendo-nos impossível não sentir uma imensa empatia por elas, despertando-nos igualmente todas as outras emoções que vão sendo experienciadas.
Desconhecia esta autora, mas fiquei completamente rendida à sua escrita.
Excelente!


Escritório para 2

Cá em casa temos uma divisão que utilizamos como escritório.
Tem o mobiliário básico necessário: duas estantes (já atulhadas, diga-se…), uma secretária XL e respectiva cadeira... e ainda um aquário XXL com 2 tartarugas e uma bicicleta de manutenção (que, a maioria das vezes, serve de cabide!).
Infelizmente, está muito longe de ser daquelas divisões acolhedoras onde apetece trabalhar. Além de que só dá para trabalhar à vez e portanto o casal maravilha nunca consegue estar a trabalhar em duo! E como aqui a menina tem portátil, anda qual “sem-terra” a trabalhar na mesa da sala, no sofá, ou onde calhe…

Vai daí que, estou seriamente a considerar a hipótese de fazer um refresh àquela divisão para rentabilizar o espaço e torná-lo mais acolhedor. Estas fotos/ideias despertaram a decoradora que há em mim!  

  

BSO da minha vida #1

Já não me recordo onde ouvi, mas concordo plenamente com a ideia de que a nossa vida, tal como nos filmes, devia ter sempre uma banda sonora.

A minha tem! E esta faz parte!

 

Ser mãe é...


Ser mãe é uma dádiva. Um lugar comum, dirão... mas quando se tem a oportunidade/privilégio de vivenciar esse estado de graça, sentimo-nos um ser divino! Sou mãe desde há 4 anos e a relação com o meu filho começou muito antes dele nascer. E ao longo da gravidez, essa relação foi crescendo, tornando-se mais forte, mais sólida, até ao nascimento dele, em que vê-lo e tê-lo nos meus braços pela primeira vez mudou para sempre a minha vida, relativizou problemas, redimensionou contextos, redesenhou perspectivas de futuro.Confesso que tive saudades de tê-lo só para mim, no meu ventre, senti-lo a mover-se, fazer festas na barriga, ter uma relação tão próxima. Precisamente porque sabia que a partir de então tudo seria diferente. Ser mãe é dar, dar muito, e também é criar... principalmente, criar raizes sólidas, boas estruturas de base, para que no futuro os nossos filhos tenham asas, e com elas possam sair do "ninho" e ver novos horizontes. Porque os nossos filhos não são nossos, são do mundo!

O respeito por nós próprios é um direito e um dever. Respeitarmo-nos para sermos respeitados, valorizarmo-nos para sermos valorizados. É com este pressuposto, que a assertividade é uma capacidade/competência a ser desenvolvida. Podermos expressar as nossas convicções livremente, em respeito a nós e aos outros. Temos de ser capazes de escutar o outro, ouvir aquilo que tem para dizer, mesmo que discordemos da sua opinião. Temos de ser capazes de expressar a nossa opinião, falar daquilo em que acreditamos, aquilo que nos move, mesmo que para os outros não faça qualquer sentido. E vamos ser bem interpretados? Talvez não. E vamos ser injustiçados? Talvez sim. Ninguém disse que o caminho era fácil, porque até para aprendermos a andar, temos de cair muitas vezes. Mas com uma base sólida, um porto seguro que nos acolhe - a nossa família - seremos concerteza capazes de ultrapassar essas situações. Como diz o poeta "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo".

O amor é um verdadeiro catalizador de boas energias. Revela o que em nós há de melhor, aproxima-nos dos outros, faz-nos enfrentar desafios, mesmo aqueles que achamos não ser mesmo capazes de ultrapassar, e assim experienciar, saborear e viver a vida. Por mais que, enquanto pais, expliquemos aos nossos filhos como a vida é, e como às vezes, pode ser dificil, eles só o entenderão verdadeiramente vivendo-a. E vivendo-a sem pressas, sem saltar etapas, tudo a seu tempo, porque o nosso tempo interior, do amadurecimento, do crescimento e aperfeiçoamento enquanto pessoas e adultos, não é o tempo dos relógios.

Enquanto pais, quereremos obviamente o melhor para os nossos filhos. Queremos que cresçam com valores, que se respeitem a si e aos outros, que façam escolhas responsáveis, que possam seguir um caminho que os faça felizes. E poder olhar para um filho, e apreciá-lo enquanto adulto com essas mesmas características, só reforça o nosso papel de pais e mostra-nos o quão valioso foi o nosso trabalho de educadores. É natural que ao seguirem o seu caminho, ao partirem para construir a sua própria história, nos deixem a nós, pais, com o sindrome do "ninho vazio", mas o orgulho que vamos sentir e o amor incondicional que continuamos a sentir, ajudar-nos-á a superar esse momento.

Nov.2010

Dúvidas #2

Por que é que algumas mulheres são tão mázinhas para com as suas congéneres???

Foi coisa nunca percebi, nem senti na pele... Reformulo, nem senti, até agora!!
No meu local de trabalho, em que a proporção de mulheres para homens é de cerca de 80-20, aquela primeira frase é, infelizmente, pura realidade. Não que eu a sinta propriamente na pele, porque as  mulheres com quem trabalho directamente têm-me surpreendido pela positiva (salvo, a excepção que confirma a regra... e que excepção!), mas, de resto, vejo-a a acontecer diariamente à minha volta.

São pequenos gestos, pequenas facadas, pequenas sacanices, algumas delas até com requintes de malvadez e rasgos de sadismo... Em circunstâncias idênticas e quando o interlocutor é um homem, não vejo o mesmo tipo de atitudes. Será uma questão de selecção natural da teoria de Darwin? Estão a tentar afastar a concorrência?!?

Ora, estas pequenas atitudes vão-se somando em muitos comportamentos que, por mais que se tente não valorizar, vão corroendo as relações, consumindo a boa-vontade e minando o ambiente onde passamos mais tempo das nossas horas úteis diárias.

Chamem-me pueril e ingénua, mas realmente não compreendo esta postura, principalmente pelo facto de não me rever minimamente nela.

Portanto, senhoras do meu estaminé, deixem-se de tretas e façam o favor de ser felizes. E caso não o sejam (porque para estarmos bem com os que nos rodeiam, temos primeiramente de estar bem com o nosso eu interior), consultem um(a) psicoterapeuta, em vez de descarregarem nos outros!

Agradecida!